Por Fátima Gonçalves
Rua Dr. Edson de Mello, 96, na Vila Maria. Este endereço abriga livros, jornais, objetos pessoais e centenas de fotos de um dos maiores ídolos brasileiro de todos os tempos: Ayrton Senna.
Num amplo espaço que já foi o escritório de Ayrton Senna, a TAS – Torcida Ayrton Senna organizou o Memorial Ayrton Senna em 1994, ano da morte do piloto.
A iniciativa de criar o Memorial foi de Adilson de Almeida, fundador e presidente da TAS que, além de ser amigo pessoal do piloto, é um grande admirador e disseminador dos feitos do piloto pelo mundo. “O fã-clube de Ayrton Sena foi fundado em 15 de maio de 1988. Naquele ano, ele conquistou o primeiro título mundial de Fórmula 1 e resolvi, junto com um grupo de amigos, criar a TAS, organizada como um time de futebol mesmo”, relembra o presidente.
Há 20 anos, no mês de outubro de 1988, o piloto conquistava o seu primeiro título mundial de Fórmula 1 no Japão. A foto da conquista do primeiro título e os que vieram depois, além de inúmeras outras pessoais, com amigos, com a família, com os cachorros, estão expostas e podem ser vistas pelo público em geral.
Mas não são só fotos. Adilson organizou uma pequena biblioteca e uma hemeroteca para os estudantes e os interessados pesquisarem sobre a vida e os feitos de Ayrton.
O Memorial tem um público bastante cativo: os turistas estrangeiros que vêm para o país para o Grande Prêmio Brasil e os brasileiros de outros estados sempre aproveitam a estada para visitar o lugar.
O acervo do Memorial também viaja para outras cidades, haja vista a dificuldade de deslocamento das pessoas, e a intenção de perpetuar a imagem do piloto brasileiro. Adilson nos conta que está sendo organizada uma turnê com exposições em várias cidades do nordeste no final deste ano. “Além dele ter sido uma pessoa muito querida no Brasil, a gente está sempre lembrando dos feitos dele não só na Fórmula 1, mas como pessoa também. Ele era uma pessoa muito boa”, afirma o amigo do piloto.
Como piloto, o Ayrton era um profissional completo. Esta não é uma afirmação pessoal, mas de muitos jornalistas esportivos que o consideram como o melhor piloto da história da Fórmula 1 de todos os tempos. Segundo informação de Adilson, “todos os anos ainda há votação entre todos os jornalistas que cobrem a Fórmula 1 e automobilismo em geral, e o Ayrton continua sendo aclamado como o melhor piloto que já existiu na Fórmula 1”.
E qual a característica ou especificidade que fazia dele o melhor? “Além de ser um profissional muito dedicado, Ayrton era um obstinado em bater todos os recordes, ele não estava satisfeito em atingir apenas um determinado objetivo, queria sempre atingir marcas, superar outros pilotos, essa era uma tendência em tudo o que fazia. Ele sempre foi muito dedicado, não só como piloto, mas como empresário também. Quando morreu, ele tinha acabado de fechar um contrato com a Audi”, afirma o amigo.
A timidez sempre foi uma marca de Ayrton Senna. De forma equivocada, algumas pessoas achavam que era arrogância, mas não – era pura timidez. Ele só se soltava mesmo quando estava entre amigos. E quando ele era amigo, ele brigava mesmo. Na Fórmula1, nos conta Adilson, “ele fez vários inimigos até com aquele jeitão de defender pessoas mais fracas, e, em algumas situações, acabava ‘trombando’ com pessoas poderosas. Ele era briguento com as coisas que ele entendia como certas. Ainda era um idealista. E conquistou grandes inimigos como o Jean Marie Balestre, um cartola do automobilismo que tirou um título dele, em 1989, e quase o impediu de correr na temporada seguinte caso o piloto não pedisse desculpas por tê-lo ofendido”.
Num país em que o esporte mais popular é o futebol, a Fórmula 1, por causa de Ayrton Sena, transformou-se num “esporte” popular.
Bem, sabemos que para o praticante, é requisito básico ter recursos financeiros, e mesmo o Kart, categoria na qual se iniciam os pilotos, requer bons recursos financeiros para bancar mecânicos, peças, carro, pneus. É um esporte caro. E mesmo assim se tornou popular. Depois que Senna morreu, em 1994, muitos brasileiros se desencantaram com o esporte e deixaram de acompanhar as corridas.
Mas a imagem vitoriosa deste brasileiro, considerado um dos maiores esportistas da história, é reconhecida nos quatro cantos do mundo, seja por seu talento excepcional e por sua determinação impressionante, ou por desempenho quase mágico. É um mito do automobilismo mundial.
Tal grandiosidade prematuramente reconhecida, quando Ayrton, aos 4 anos de idade, pegou no volante pela primeira vez, marcou o início de uma história maravilhosa de sucesso, que incluiria 41 vitórias na Fórmula 1, 65 pole positions e 3 campeonatos mundiais.
Ao vestir o macacão, transpirava um equilíbrio sereno e se integrava ao carro para sentir cada reação na pista, fazendo manobras inacreditáveis, dignas de um perfeccionista.
A violência e a exatidão das pistas nunca assuntaram Ayrton Senna. Ele se transformava em potência superando todos os desafios sempre em busca da vitória.
Enquanto alguns disseram que Ayrton era um homem sem medo, Senna aliava a sua grande habilidade na pista à sua religiosidade e dedicação, cujas motivações permitiram -lhe buscar o equilíbrio, mesmo nos circuitos mais complicados e sair vitorioso.
Longe das pistas, Ayrton era uma pessoa normal. Se é que um ídolo possa ter vida normal. Depois de cumprir os compromissos com a equipe, imprensa, patrocinadores e fãs, procurava sair rapidamente dos autódromos.
Em São Paulo, transformava-se no competente empresário que cuidava dos negócios com a mesma dedicação e preocupação que tinha na F1, como pode ser visto ao olharmos para o sucesso das marcas que criou: o personagem Senninha e a Marca Senna.
Ayrton tinha orgulho de ser brasileiro. E queria fazer mais pelo país. Lançou a semente para a criação do Instituto Ayrton Senna que atende milhares de crianças e jovens em todo Brasil.
O Memorial Ayrton Senna está aberto a visitação pública. É necessário agendamento prévio com Adilson de Almeida pelos telefones 3294.9604 (manhã) ou 8182.5502. |