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Revista ZN - A revista da Zona Norte de São Paulo

A tecnologia a serviço do homem -
(14/08/2009)

  • Eliana B.G. Holzchuh

    Neste milênio, ao tentarmos fazer um balanço de quanto o homem evoluiu e descobriu em dez anos, vemos que, aproximadamente, a cada seis meses, surgiram "maravilhas da tecnologia" a serviço da Humanidade; em todos os campos de atividade "elas" se fazem presentes e eu, em minha crença religiosa, agradeço a Deus por intuir no ser humano, capacitando cérebros privilegiados a destrinchar e simplificar enigmas que até pouco tempo melhor estariam em literatura de ficção científica. Os avanços tecnológicos e seus produtos não são mais segredos de estado fortemente guardados; estão circulando em todos os jornais, revistas, internet, ao alcance de todos ou de alguns milhares de pessoas no mundo com poder aquisitivo compatível ao custo dos bens dispostos.

Por exemplo: Qualquer pessoa com médio orçamento pode adquirir um "iphone", mas em contrapartida não tem como adquirir uma casa ou apartamento "inteligente". Temos ainda, no campo da medicina, notícias de que existem equipamentos de última geração, moderníssimos, super sensíveis para detecção de inúmeras doenças em fase inicial, mas que nem todos os hospitais e clínicas podem se valer dos mesmos, devido aos seus custos estratosféricos.

Sabemos também que inúmeros profissionais estão capacitados a gerir suas empresas, clínicas e estabelecimentos utilizando recursos integrados em um único computador e em qualquer parte do mundo onde haja interligação com a grande rede mundial através de recursos como wireless, Bluetooth, WiFi, podendo controlar e visualizar por "webcam" o fluxo e circulação de pessoas em seus empreendimentos e também a segurança interna e externa dos mesmos.
A tecnologia em geral nos mostra o quanto existe em contradição no "modus vivendi" dos humanos, especialmente se voltarmos nosso olhar à Educação, ciência que, a meu ver, deveria ser sinônimo de evolução, progresso, solidariedade e engrandecimento do ser humano como um todo. Possuímos escolas ricamente equipadas com tecnologia de ponta, porém com programas cujos processos educativos pouco se preocupam com a capacidade de compreensão e expressão verbal dos alunos e que escancaram a mentalidade medíocre de gestores e professores que nivelam por baixo os mais nobres ideais da Educação, transformando a mesma numa Ópera Bufa!

Quantos de nós não conhecem profissionais altamente graduados, experts em TIC (tecnologia da informação e comunicação), TE (tecnologia da educação) que se sentem senhores absolutos, fazendo e desfazendo o mundo com um clique na tecla "Enter" ou "Delete".... Pessoas que consideram "Blogs", "Twiters", "Face Book", "Orkut", seus notebooks, um must; que a vida divide-se em antes e depois da tecnologia, informática, cibernética ou o que o valha. Concordo em parte: A tecnologia realmente é um divisor de águas e que atire o primeiro "pendrive" aquele que não se sente confortável em usufruir as benesses que as milhares de descobertas propiciam.
Assim sendo, quanto mais modernidade maior deveria ser o grau de evolução do ser humano. O que não podemos é iconizar, endeusar a tecnologia e seus defensores xiitas que acreditam ser semideuses por dominarem alguns conhecimentos; não devemos excluir o humano mas sim fazer da tecnologia fator de inclusão incondicional. Estudos nos mostram que a criança que fica conectada "24 horas" não tem como se sentir rodeada do carinho dos pais, irmãos, avós, amiguinhos, uma vez que isso exige interrelação pessoal. A solidão de quem tem um sem número de amigos virtuais é fato comprovado; o círculo de amigos próximos diminui ao passo que o de contatos virtuais aumenta em proporções fantásticas. Vê-se, neste exemplo, que o uso desmesurado da tecnologia transforma pessoas em seres antissociais, não capacitados a desempenhar, de forma satisfatória, seu papel no mundo do trabalho e na vida em sociedade.

O papel da Escola não é simplesmente propiciar ao aluno o uso dos recursos disponíveis, mas sim empregá-los de forma objetiva e produtiva para justificar o valor e a importância da tecnologia em si. O que vemos atualmente em geral é o uso da tecnologia de maneira superficial baseado em modismos. Necessitamos, urgentemente, ensinar nossos alunos a pensar, a agir e transformar conhecimentos em arsenal para vida prática infundando-lhes que a tecnologia não se presta somente ao envio de e-mail e conexão em sites de busca ou redes sociais. A tecnologia é e propicia muito mais e não deve ser transformada em um objeto em que o máximo de interatividade e reciprocidade que se tem é o acesso aceito ou "deletado" de pessoas. A vida real para ser vivida plenamente impõe desafios maiores, mais complexos, profundos, que exigem neurônios sãos para conexões "smart". 

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