Por Fátima Gonçalves
Hoje em dia fala-se muito sobre atividades que proporcionem uma melhor qualidade de vida às pessoas. Todas essas atividades e tudo o que o homem cria para proporcionar bem-estar às pessoas sempre são muito bem-vindas. Mas há uma prática muito simples e que faz parte do dia-a-dia de todos nós que contribui muito para a tão buscada qualidade de vida: uma boa conversa ou o popular bate-papo. Essa é uma prática que chega a ser até terapêutica, segundo a psicóloga Walnei Arenque, com quem fomos conversar sobre o tema.
Por se tratar de um tema inerente à própria condição do ser humano em sociedade, cabe aqui uma reflexão um pouco mais aprofundada. A psicóloga nos fala dos diferentes tipos de conversa com pessoas com as quais nos relacionamos ao longo da vida.
Já desde os primeiros dias de vida, o bebê adora ouvir a voz da mãe, e mesmo sem entender o vocabulário, a comunicação se dá por meio da musicalidade da voz, do tom e a resposta a essa “conversa” é um sorriso, um movimento. Ainda em família, a criança cresce e as conversas são relegadas a um segundo plano por conta de um tempo sempre escasso. “E a conversa com os filhos é muito importante porque caso contrário, com o tempo, podem acontecer grandes desencontros e conseqüências que muitas vezes chegam a ser desastrosas”, afirma a psicóloga.
A conversa com amigos
Com o decorrer do tempo vêm os amigos. Ah, como é bom sentar em algum lugar, seja o pátio da escola, o parque, a praça de alimentação do shopping e passar horas “jogando conversa fora”. Essa atividade, de acordo com Walnei, “chega a ser terapêutica porque nesse bate-papo com os amigos é possível colocar para fora muitas coisas, como angústias, desejos, necessidades ou apenas dar boas risadas”.
Claro que uma conversa, por melhor que seja, não tem o propósito de resolver problema algum, ou solucionar angústias e ansiedades profundas, mas o simples fato de falar já provoca um bem-estar interior muito grande.
A conversa entre o casal
Quer coisa mais importante do que uma conversa? Não é uma discussão de relacionamento, mas de bate-papo, em que os assuntos são os acontecimentos do dia-a-dia, temas corriqueiros, brincadeiras – “isso ajuda a sustentar o casamento, ajuda a conhecer o outro, conhecer a si e, muitas vezes, colocar as coisas em ordem. Que bom que falamos, não é mesmo?”, afirma Walnei.
A conversa com o idoso
“Ninguém fala com o idoso. E isso faz com que o idoso fique mais idoso”. Essa afirmação de Walnei nos faz refletir sobre o comportamento dos mais jovens em relação ao idoso. Faltam paciência e disposição de sentar com o idoso e ouvir suas histórias de vida, adquirir conhecimentos, aprender... Mas ao invés disso, o idoso hoje é excluído da convivência com os mais jovens.
A realidade do idoso só não é pior porque hoje em dia é muito grande a oferta de atividades dirigidas a esse público. E sempre muito concorridas, desde um curso universitário até ginástica e bailes.
Quanto mais se conversa sobre um assunto que incomoda mais ele vai se desgastando. Segundo Walnei isto acontece porque “um assunto não conversado cria muitos fantasmas e quanto mais se conversa, mais se vai percebendo o quão trivial aquilo pode ser”.
Uma analogia com o diamante bruto é bastante pertinente. “É o que a gente faz com um diamante bruto, em que se tiram os excessos pela volta – que seria a conversa – como se você tivesse lapidando aquele diamante e a partir de um determinado momento você está tranqüila, com brilho, porque não existe mais aquele peso. Você falou tanto naquele assunto que, por fim, percebe que não é tão terrível”, analisa a psicóloga.
A conversa é uma atividade importante, seja de que forma for. Traz qualidade de vida a quem a pratica. Mas não podemos esquecer que numa conversa temos de aprender também a ouvir. É nessa troca que as pessoas crescem, refletem, esclarecem eventuais mal-entendidos. E relaxam. |